domingo, 15 de maio de 2011

Novos Paradigmas: Simplicidade e Felicidade

Olhe bem nos meus olhos
Olhe bem pra você
A quem é que a gente engana com a nossa loucura
De certo que a gente perdeu a noção do limite
Oswaldo Montenegro

O físico Fritjof Capra diz que, entre todos os sistemas vivos, o único que tem a ilusão do crescimento ilimitado é o câncer; e que nem ele tem êxito. Não é um sistema inteligente, porque mesmo quando consegue atingir seu propósito – driblar o sistema imunológico, espalhar-se pelo organismo que o hospeda e dele se alimentar - está caminhando para a própria morte. Ele esgota a vitalidade do organismo que o alimenta e, claro, morrerá também. Seu objetivo é crescer. Para onde? Para quê? Nem ele sabe, já que o câncer é decorrente de uma mutação no núcleo da célula, que a fez perder a informação da sua função original.
É uma ótima analogia para a lógica de mercado que rege diferentes setores da atividade humana - incluindo a gestão das organizações, a ocupação dos espaços, a exploração dos recursos naturais, as relações interpessoais, os valores e hábitos de consumo da sociedade atual – tudo isso com altíssimos níveis de impacto ambiental e humano. Mesmo com todos os sinais de “metástases” – que se expressam em nossa sociedade através de um estilo de vida vazio de significado – "produzir e consumir" continua sendo o nosso mantra e é sinal de “evolução”. O importante é crescer. Para onde e para quê? Parece que já não sabemos mais.

As evidências de colapso ambiental, social e econômico apontam a urgência em adotarmos novas abordagens de vida, fundamentadas em um novo paradigma. Nos anos 80, Duane Elgin foi considerado um visionário ao iniciar o diálogo em torno da chamada “simplicidade voluntária” – que é o estilo de vida exteriormente simples, mas interiormente rico e criativo. A opção por esse estilo de vida expressava uma postura consciente frente aos valores massificantes da sociedade industrial. Para quem pensa que simplicidade voluntária é papo de bicho grilo dos anos 80, acertou. Isso é coisa do passado, de quando ainda tínhamos tempo para decidir. Adotar uma simplicidade consciente não é mais uma questão de vontade – é uma urgente necessidade. Com o colapso dos grandes centros e a exaustão do estilo de vida baseado no consumo, já estamos em outro estágio em termos de “liberdade”.

Viver com simplicidade não é o mesmo que viver com precariedade. Ao contrário, a simplicidade cria oportunidade para que a riqueza encontre outras formas de expressão – capazes de gerar felicidade genuína e duradoura. O físico e ex-monge budista Alan Wallace diz que podemos buscar dois tipos de felicidade: a “felicidade do caçador” – que é baseada na escassez, na disputa, no domínio e na atitude predatória - é uma felicidade passageira; e a “felicidade do agricultor” – que é baseada na capacidade de gerar, cuidar, multiplicar e compartilhar – esta é a felicidade duradoura.

Abraços fraternos,
Sandra Felicidade
Consultoria, coaching e psicoterapia

Ilustração: Mafalda - Quino

3 comentários:

  1. Oi Sandra
    Também concordo que a busca pela felicidade através da simplicidade é o caminho mais curto. O Professor Hermógenes diz "a felicidade suprema e eterna faz parte de nossa verdadeira natureza, de nossa essência. Apesar de todas as aprecências em contrário, todo ser humano é feliz em essência." Vendo por esse prisma, todo o resto é distração da verdadeira felicidade.
    Beijão
    Zezé

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  2. Oi, Zezé!
    É por aí mesmo. A simplicidade tem o mesmo efeito da meditação. Elimina as distrações e nos faz "voltar para casa".
    Beijos
    Sandra

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  3. Em Matrix, os irmãos Wachowski assim nos definiram como vírus. Mas câncer pode ser igualmente uma boa comparação. Fato é que estamos a cada dia destruindo as nossas condições de vida como espécie e já vimos fazendo isto há algum tempo! Poderemos - e acho que seremos - a espécie que mais se desenvolveu (não sei para quê!) e que menos tempo permaneceu sobre a superfície da terra. Estamos por aqui há coisa de cem mil anos; será que teremos, como espécie, outros cem mil? Receio que não! Mas a tirinha é simplesmente brilhante! É a melhor parte de tudo, sem desfazer de nada! Abraço e felicidade. Sempre.

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