quarta-feira, 21 de março de 2012

A liderança numa perspectiva sistêmica


"Não existem problemas isolados; ao contrário,
há um sistema de problemas estreitamente interligados e
interdependentes; e esse sistema exige novas abordagens de vida."
Duane Elgin


O paradigma que rege o mundo do trabalho visa resultados imediatistas e está em crise. Precisa ser repensado, pois está na origem de problemas que vão desde o impacto na saúde física e emocional das pessoas até os desequilíbrios econômicos e ambientais. O cenário cada vez mais complexo exige o desenvolvimento de estratégias baseadas em um novo modelo, mais sistêmico. Não é possível pensar em inovação ou em estratégias arrojadas, se percebemos a realidade sempre de forma fragmentada e continuamos adotando uma lógica linear. Entre os desafios atuais das organizações, está a urgente necessidade de conciliar obtenção de resultados com um ambiente de trabalho mais humano.

O líder precisa obter o máximo desempenho e comprometimento de seu time e, teoricamente, assegurar um bom ambiente de trabalho. Essas duas coisas são incompatíveis? Depende... Muitas vezes os resultados e o comprometimento são obtidos exatamente em função de um ambiente de trabalho estimulante, criativo, espontâneo e cooperativo.

Mas as coisas começam a ser conflitantes quando:

  • Os resultados esperados são tão agressivos e insustentáveis, que geram um altíssimo nível de estresse nas pessoas. A pressão por resultados começa a se converter em pressão nas relações (do líder sobre a equipe e entre os pares/colegas). Existem pressões horizontais e verticais. Isso deteriora as relações, afeta a comunicação e cria um ambiente de trabalho ruim.
  • A estratégia do líder/da empresa é estimular a competição internamente, oferecendo prêmios para que as pessoas se empenhem fortemente para alcançar resultados. O velho modelo “cenoura e chicote”, que parte de uma visão muito limitada do que é motivação. Funciona por um tempo, mas cria rivalidades, desconfiança e comportamentos territoriais. Além da competição externa, do mercado, há o estresse da competição interna. 

O líder é responsável pelos resultados e pela qualidade do ambiente de trabalho. Exatamente por isso ele pode ser um agente de transformação, trazendo uma visão mais integradora desses aspectos.

É preciso pensar que resultados agressivos não são sustentáveis. Agressividade é incompatível com perenidade. O que é melhor? Resultados extraordinários que custam um altíssimo preço do ponto de vista humano ou resultados que são fruto de ações arrojadas, geradas por equipes motivadas e criativas? Veja que é possível ter resultados das duas formas: a primeira opção está baseada numa visão mais imediatista, e a segunda numa abordagem sistêmica e sustentável.

Numa perspectiva sistêmica, o conceito de "resultado" é amplo e considera a qualidade das relações no ambiente de trabalho. Em última instância, é isso que assegura a vitalidade de uma organização, que não é uma máquina, é um sistema vivo. A posição de liderança atinge um novo patamar de responsabilidade e de potencial transformador. Isso exige um conjunto de atributos essenciais para pensar e atuar em ambientes complexos. Linda Booth Sweeney  aponta alguns desses atributos no livro The Systems Thinking:

Pensador sistêmico*

  • Consegue ver o quadro completo. Sua visão ultrapassa a realidade de sua organização e do mercado em que atua.
  • Muda de perspectiva para conseguir ver novos pontos relevantes em sistemas complexos.
  • Procura as interdependências.
  • Observa como os modelos mentais atuam como “geradores de futuro”.
  • Fica atento aos efeitos de longo prazo.
  • Usa visão periférica para identificar causas e efeitos multilaterais.
  • Antecipa cenários e consequências.
  • Identifica padrões presentes no sistema.
  • Foca na estrutura, não no erro ou no sintoma.
  • Sustenta a tensão gerada pelo paradoxo e controvérsia, sem cair na tentação das soluções fáceis e imediatistas.
  • Localiza os entraves e avalia (e dissolve) o atraso ou inércia que podem causar.
  • Observa e atua nos efeitos nocivos gerados pelos comportamentos do tipo “ganhar/perder”, em situações de alta interdependência.
  • Vê o aspecto humano como elemento essencial na funcionalidade do sistema.
* The Systems Thinking  - Linda Booth Sweeney. Chelsea Green Publishing Company - 2010.

Sandra Felicidade - Psicóloga - CRP 08/12815. Consultora, coach e psicoterapeuta (sistêmica e junguiana). Trabalha há vinte anos com desenvolvimento humano em organizações de diferentes setores. Atua principalmente com os temas: visão sistêmica, inteligência coletiva, novos paradigmas, relações humanas no trabalho.  É autora de Relações em Jogo® e facilitadora do Jogo da Transformação® - credenciada pela InnerLinks Associates. Autora de artigos e coautora de livros nas áreas de Psicologia e Sociologia. Foi colaboradora do NEPED/Sociologia/UFSCar.

Informações sobre workshops:
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sandra.happiness@terra.com.br / http://br.linkedin.com/in/sandrafelicidade

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