segunda-feira, 9 de abril de 2012

Simplicidade num mundo complexo

No texto abaixo, Duane Elgin descreve uma realidade de aproximadamente duas décadas atrás - e alerta para o risco da alienação no trabalho realizado em estruturas gigantes. Nas últimas décadas as organizações tornaram-se ainda maiores e mais complexas. A globalização e os avanços tecnológicos dissolveram as fronteiras de tempo, espaço e cultura – com grandes implicações no mundo do trabalho. Os efeitos desse fenômeno são diversos – e por falar em fronteira (ou na ausência dela), já não sabemos mais quando estamos diante de uma “benção” ou de uma “maldição”. A simplicidade favorece a clareza e a percepção do que é relevante e prioritário - significa eliminar excessos e complicações desnecessárias. Independente do tamanho da organização, as estruturas (físicas e hierárquicas) e os processos podem ser simplificados e humanizados.
Sandra Felicidade

Simplicidade e Trabalho*

Um terceiro exemplo fundamental da relevância da simplicidade é a maneira pela qual ela pode mudar a abordagem do trabalho. O relacionamento com o trabalho é bastante aprimorado quando o meio de vida de uma pessoa contribui genuinamente para o bem-estar individual e coletivo. É pelo trabalho que desenvolvemos nossa capacidade, nos relacionamos com os outros e colaboramos com a sociedade mais ampla.

Workshop: Relações Humanas no Trabalho
A simplicidade também se manifesta através de locais de trabalho de dimensões mais humanas. Muitas pessoas desempenham suas funções em ambientes de proporções gigantescas: empresas enormes, agências governamentais descomunais, instituições educacionais imensas, e assim por diante. Esses locais de trabalho tornaram-se tão grandes e complexos que é virtualmente impossível compreendê-los; são incompreensíveis, tanto para as pessoas que trabalham neles quando para aqueles que são servidos por eles. Não deve surpreender, portanto, o fato de que as ocupações geralmente relacionadas com essas organizações maciças tendem a ser rotineiras, especializadas e causadoras de stress. A simplicidade nessa área implica a mudança em favor de locais de trabalho mais humanos.

Isso não significa o abandono das instituições que foram criadas durante a era industrial; significa, antes, a reestruturação dessas organizações, de maneira que sua extensão seja mais compreensível e sua complexidade mais fácil de dominar. Na criação consciente de ambientes de trabalho cujas dimensões encorajem o envolvimento significativo e a responsabilidade pessoal, a alienação, o tédio e o vazio seriam grandemente reduzidos.

A qualidade da simplicidade também pode ser expressa como uma participação mais direta e plena em decisões relacionadas ao trabalho – por exemplo, a participação direta nas decisões sobre o que produzir; envolvimento direto na organização dos processos; e a participação direta na determinação de programas de trabalho – tais como horário flexível, divisão de trabalho, organização de equipes e outras inovações.

*Trechos extraídos do livro Simplicidade Voluntária – Duane Elgin. Editora Cultrix – 1993.

Um comentário:

  1. Não estamos preparados para lidar com o elevado grau de complexidade a que estamos submetidos, principalmente a um ritmo tão veloz. Vejo duas alternativas: se não houver nenhuma mudança no mundo do trabalho, viveremos em uma sociedade cada vez mais estressada, o que já é um fato, ou então teremos que inevitavelmente colocar em prática costumes, hábitos e conceitos simples que eram rotina no passado. A simplicidade é natural por isso é tão fácil aceitá-la. A complexidade não, pois trata-se de uma imposição do mundo moderno.

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