domingo, 27 de dezembro de 2015

A Música

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Será que hoje Cazuza diria que o seu partido é um coração partido?
Renato Russo estaria na Legião dos que perguntam que país é este, mas se mantêm livres dessa gosma política?
E Belchior, afastou-se de tudo porque entendeu a divina comédia humana onde nada é eterno?
Sorte deles. Não serão lembrados como coxinhas ou petralhas
Continuarão sendo mitos e autores de letras geniais
Posso continuar gostando deles sem medo da fúria que vem dos polos
Mas nós aprendemos palavras duras
Como dizer petralha, coxinha, corrupto, reaça
Então já não posso ouvir meus CDs do Chico impunemente
Meu vizinho da direita vai dizer que eu sou petralha e corrupta
Também não posso ouvir meus CDs do Ultraje nem do Lobão
Meu vizinho da esquerda vai dizer que sou coxinha e reaça
Aqui no meio, ouço os futuros amantes do Chico
A rebeldia sem causa e inútil do Ultraje
E a vida bandida sem revanche do Lobão
Não dou explicações nem tenho crise de identidade
Sabedoria na vida é suportar a ambiguidade
A música transcende tudo e está além da dualidade

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sábado, 19 de dezembro de 2015

2015 e o Feitiço do Tempo


No filme O Feitiço do Tempo, Phil Connors, personagem vivido por Bill Murray, é um repórter que vai fazer a cobertura do “Dia da Marmota”, um evento de uma pequena cidade nos Estados Unidos. Ele vai contrariado, faz a reportagem de mau humor, louco pra terminar tudo e sair dali. Só que ele fica preso na cidade por causa da nevasca e, pior ainda, fica preso no tempo. Todas as manhãs o despertador toca e ele está no mesmo dia, todas as coisas precisam ser vividas novamente. Ele encontra as mesmas pessoas, tem os mesmos diálogos, enfia o pé no mesmo buraco, tudo igual. Inicialmente ele começa a tirar proveito da situação. Só que essa repetição vai evidenciando as características mais negativas de Phil: arrogância, vaidade, oportunismo, preconceito, manipulação, teimosia. Aos poucos sua atitude começa a mudar e ele passa a perceber a oportunidade que existe em cada encontro. As mesmas situações geram novas experiências.

Esse filme dos anos 90 é genial e vale a pena assistir novamente. Embora pareça uma comédia despretensiosa, o filme é baseado nas ideias do filósofo e psicólogo russo P. D. Ouspensky (1878 – 1947) – que defendia a teoria da eterna recorrência: nós continuaremos passando pelas mesmas situações até que nosso nível de consciência mude e a gente comece a ter outra atitude diante da vida.

Feitiço do tempo - disponível em https://www.youtube.com/watch?v=zi8d69P9NvI

Parece que o ano de 2015 está sendo nosso Ano da Marmota, ou seja, parece que estamos vivendo a repetição do personagem do filme. Todo mundo tem falado dos desafios deste ano, no Brasil e no mundo, e parece mesmo estar sendo o ano que condensou tudo o que não está resolvido, individual e coletivamente. Tudo está sendo visto com um zoom: modelo econômico perverso, colapso ambiental, tensões sociais, racismo, preconceito de toda ordem, corrupção, sistema político falido, extremismos, manipulação da mídia, intolerância. Estamos praguejando contra 2015, mas ele está só refletindo tudo aquilo que nós ainda não compreendemos. Todos os grandes desafios da humanidade se intensificaram e mostraram seu caráter sistêmico.

Recentemente, o Papa Francisco declarou que as festividades do Natal são uma falsidade e não refletem o que nós estamos vivendo, porque ainda não encontramos o caminho da paz. O Dalai Lama disse algo parecido, não faz sentido orar por Paris. Nós criamos essa confusão toda em que o mundo está metido. Não faz sentido orar para que Deus resolva problemas que a humanidade insiste em manter. Isso é falsidade.

Estamos na repetição descrita por Ouspensky. As coisas vão se repetindo e a gente precisa lidar com isso. Assim como a repetição de Phil mostrou, enquanto a atitude não muda a experiência não muda.  Mas a experiência dele também mostrou que o Dia da Marmota é o ponto de mutação. É a oportunidade de dar um salto de consciência.

Cada um sabe quais são as situações pessoais que estão se repetindo. Quais são os padrões recorrentes, no trabalho e nas relações interpessoais. Existe um tesouro escondido aí. Quando a gente cai no buraco pela primeira vez, a resposta mais fácil é ficar com raiva e encontrar um culpado. Isso pode acontecer algumas vezes. Muitas vezes. Nada muda. Nenhum aprendizado. Mas um dia a gente começa a perceber que está caindo no mesmo buraco e não dá mais pra culpar o outro. Essa é uma grande mudança. 

No Livro Tibetano do Viver e do Morrer, Sogyal Rinpoche fala sobre cair no mesmo buraco várias vezes. Com o tempo, diz ele, é possível perceber o buraco e desviar dele. Até que um dia você decide ir por outra rua e o buraco não está mais no seu caminho. Talvez o próximo passo seja fechar o buraco definitivamente (consciência), pra que ninguém mais precise cair nele. Quem sabe 2015 seja o ano dessa compreensão. O ano ainda não terminou e ele pode deixar uma ótima semente para 2016. 

Abraços
Sandra Felicidade

domingo, 6 de dezembro de 2015

Caminhos para a Mudança

Workshop
Nazaré Uniluz -15 a 17/01



A dimensão das mudanças que estão ocorrendo é extraordinária. Não estamos sozinhos nesta época de mudanças. Todas as pessoas que encontramos estão de alguma forma envolvidas em suas batalhas pessoais, procurando reagir a este tempo de desafios.
Como indivíduos, não estamos indefesos diante dessa mudança monumental. Oportunidades de uma ação significativa estão por toda parte: os alimentos que comemos, o trabalho que realizamos, os meios de transporte que utilizamos, o modo como nos relacionamos com outras pessoas, as roupas que usamos, os conhecimentos que adquirimos, as causas que apoiamos, o nível de atenção que dedicamos à vida, e assim por diante. A matéria prima da transformação é idêntica àquela com a qual a vida diária é construída.
Os resultados desta época de transição planetária irão depender das escolhas que fizermos como indivíduos. Nada está faltando. Nada mais é necessário, além daquilo que já temos. Não precisamos de novas tecnologias. Não necessitamos de lideranças heroicas. Nossa única necessidade é optar, como indivíduos, por um futuro revitalizante e, depois, agir em comunhão com os outros, para fazê-lo frutificar.
Por meio de nossas escolhas conscientes, podemos passar da alienação para a participação, da estagnação para o aprendizado, do cinismo para o interesse pelas outras pessoas. Longe de estarmos indefesos, somos a única fonte da qual podem emergir a necessária criatividade, compaixão e determinação. A época do desafio já chegou até nós. É tempo de começarmos o próximo estágio de nossa jornada. 
Duane Elgin

Caminhos para a Mudança - Nazaré Uniluz - 15 a 17/jan/16
Informações e inscrições: 
secretaria@nazareuniluz.org.br - (11) 4597.7103 / 96473.2851 / 99213.7960 - 

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

A alma das coisas

A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. 
O homem que não tem olhos abertos para o mistério 
passará pela vida sem ver nada.
Albert Einstein
Foto: Gebh Al Tarik - Castelo Cluny Hill / Escócia

O pensamento racional tem grande utilidade na vida prática, mas impede o acesso a formas de consciência mais elevadas e a experiências que nos conectam com o sutil. Os orientais sabem disso há muito tempo e desenvolveram sistemas milenares destinados a superar o pensamento convencional.

O intelecto só pode remeter-se à análise da superfície das coisas e entregar uma visão fragmentada: "Um beijo é o contato mecânico de quatro lábios, com intercâmbio de saliva e outras substâncias bucais."

Para captar o sentido profundo, a alma das coisas, sua dimensão oculta e transcendente, é necessário recorrer à visão intuitiva não contaminada pela experiência prévia, desligada dos dados arquivados no cérebro.

A observação profunda deve ser nova, inocente, mas o intelecto se apodera do observado e tende a classificá-lo, a compará-lo e a ordená-lo segundo seus dados acumulados e segundo sua lógica, descartando aquilo que excede seus domínios cognitivos. Assim, o novo se torna velho, o puro se contamina e o profundo de torna superficial. 

Você pode gritar uma verdade aos quatro ventos. O tolo não consegue ouvir. O conhecimento oculta a si mesmo e só é alcançado a partir de um certo nível de consciência.

Mas quando estamos prontos para receber uma informação mais sutil e elevada, o simples contato ativa zonas da mente e canais perceptivos que estavam bloqueados. 

Cada passo que damos nos leva às portas do sutil ou do grosseiro. Nos deparamos com a realidade correspondente a essa escolha prévia. Cada um encontra o que seu nível de consciência pode aceitar e reconhecer.

Texto de Enrique Barrios

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Quando o hoje já não basta


Todos nós já passamos por fases de insatisfação em algum aspecto da vida. Às vezes temos a impressão que é algo passageiro e que algum pequeno ajuste pode fazer com que o mal-estar passe. Se a desmotivação é com o trabalho, pode ser que uma promoção, tirar férias ou uma mudança de empresa traga alguma satisfação, ainda que seja por um tempo. O mesmo acontece em outros aspectos da vida quando uma readequação ou alguma gratificação nos ajuda restaurar a motivação. Essas estratégias podem ser eficazes por um tempo. O desafio é quando o questionamento é mais profundo e você começa a não ver sentido na forma que está vivendo. Quem já passou por grandes transições na vida - e conhece a força que tem a onda da mudança quando ela chega - vai se identificar com este livro de Regina Hostin. 

Foto: Regina Hostin

Quando o hoje já não basta é o registro de uma experiência de transformação pessoal profunda. A autora escreve sobre o processo que viveu e que teve como cenário uma diversidade de ambientes e culturas, como a imersão no Schumacher College (Inglaterra), a passagem por diferentes países até a chegada aos pés dos Himalaias.

Tenho a imensa alegria de participar deste livro com um texto sobre a transição no mundo do trabalho. Percebo que há um grande movimento de transformação e que muitas pessoas estão fazendo mudanças importantes na vida. Eu mesma já passei por transições significativas e, embora saiba que cada um faz sua jornada de forma muito singular, é inspirador conhecer experiências como a da autora. Por isso fiquei honrada com o convite para participar do livro e acredito muito no projeto. Atualmente a autora está captando recursos para a publicação no livro - e quem se identificar com o projeto e quiser contribuir para sua realização pode acessar o link abaixo para conhecer os detalhes e a forma de contribuir:


Um grande abraço
Sandra Felicidade


quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Simples, pequeno e local


Nas últimas décadas vimos grandes transformações no mundo, geradas principalmente pela internet, pela alucinante evolução tecnológica e pela globalização. Todos esses fenômenos estão diretamente ligados – um é determinante do outro. Nossa vida tem sido fortemente afetada por essa realidade, para o melhor e para o pior. A questão é que a rapidez com que as coisas mudam e a forma como nos afetam têm uma consequência insidiosa.  O gigantismo próprio de um mundo globalizado tem um fascínio e ele vai silenciosamente tirando o poder de decisão das pessoas e das comunidades. Vai reduzindo a vitalidade e a criatividade do que é local. Vivemos a síndrome do sapo cozido. Estamos imersos em uma realidade artificial e vamos nos acostumando a ela e aceitando como "natural" o que deveria ser avaliado e adotado com muito discernimento. 

A globalização e as tecnologias nos permitem ter acesso ao que seria impensável antes. Isso é muito interessante e abre possibilidades pessoais, profissionais e comerciais muito amplas. O que nós não percebemos é que a outra face dessa realidade é estarmos totalmente dependentes de megaestruturas “sem rosto”, virtuais, poderosíssimas e absolutamente voláteis. Elas podem se transformar e até mesmo desaparecer instantaneamente se não for mais conveniente mantê-las nessa lógica perversa da economia global. Isso pode parecer muito macro, mas afeta nossa vida de forma muito direta. Quem já não passou pelo descaso da empresa de telefonia quando precisou fazer uma reclamação ou quis mudar de plano? Ou pior, quando precisou recorrer ao plano de saúde numa situação grave e foi tratado com frieza e impessoalidade. Muitas vezes, o máximo que conseguimos é o atendimento de uma gravação dizendo: “Não desligue, sua ligação é muito importante pra nós”. Quem está do outro lado da linha? Nunca tivemos tecnologias tão sofisticadas e nunca estivemos tão vulneráveis e solitários. Esse é o preço do gigantismo. 

Nós já estamos no ponto em que o encantamento passou e começamos a sentir as consequências. Nossa missão é acolher os benefícios da realidade virtual no que ela pode contribuir para a vitalidade e o fortalecimento da nossa comunidade imediata. Lembrando que fortalecer a comunidade não é criar uma redoma; ao contrário, comunidades saudáveis são permeáveis, mantêm intercâmbios e fazem trocas. Vivem e celebram a diversidade. A cultura e a economia da nossa “aldeia” são a nossa grande fonte de segurança, principalmente num momento desafiador como o que estamos vivendo. O caminho é recuperar o senso de comunidade, comprar no comércio do bairro, prestigiar o artista/artesão local, criar parcerias inteligentes com os “pequenos” que vivem realidades semelhantes, consumir conscientemente produtos locais confeccionados ou cultivados de forma humana e sustentável.

Com a complexidade do mundo virtual e globalizado, esquecemos o valor do simples, do pequeno e do que é local. Nossa vida não acontece na internet, ela acontece na vizinhança, na padaria onde se compra o pão quentinho, no comércio do bairro onde o dono sabe seu nome e suas preferências, no grupo de mães e pais que coopera no transporte das crianças pra escola, no pessoal que se organiza pra fazer uma horta orgânica. Nossa capacidade de superar os desafios depende principalmente de nutrirmos a vida em comunidade. A simplicidade é a resposta mais revolucionária que podemos dar ao mundo mecanizado e complexo em que vivemos - e ela é a chave para uma nova humanização. É hora de resgatar o valor do simples, pequeno e local.


Sandra Felicidade
Psicóloga, consultora e terapeuta. 
(41) 9699-2665 ou sfelicidade.psi@gmail.com

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Hora de Despertar - Alan Watts

Como conseguimos escapar da hipnótica forma de caminhar pela vida? Quando ficamos presos ao estilo de vida mecânico, de simplesmente cumprir compromissos e realizar tarefas, vamos perdendo o contato com quem realmente nós somos. Ficamos reduzidos a papeis sociais e engolidos pela síndrome de insuficiência. Sempre teremos a impressão de que nos falta algo. Sempre teremos um sentimento de estar aquém das exigências do mundo, de performance e resultados. Nesta animação, Alan Watts mostra que podemos ir para um outro nível de consciência, de onde é possível ver a si mesmo de outra forma. É possível adotar uma postura mental estável que permite observar o mundo e não ser engolido por ele - e, principalmente, desenvolver a auto-observação. Com isso conseguimos resgatar nossa integridade e passamos a ter outra qualidade de presença a todo momento. 


Hora de Despertar (Time to wake up) - Alan Watts
Animação: Alec Farai
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=quBA3sLzogY&list=PL0XR8Pa0TpRsugXhzOVE7F26RCqotu6Il

A respiração e a emoção

"Quanto mais ampla a respiração de um ser humano, 
mais rica sua realidade. Se você quiser mudar seu destino, 
trabalhe a sua respiração... Dedique tempo à respiração."
Stefano Elio D'Anna


A força da respiração está na sua urgência. A respiração é a única função fisiológica urgentemente necessária - sempre - em todos os instantes. É a única pressão instintiva continuamente atuante. A necessidade de respirar faz parte de todo e qualquer aqui/agora. O primeiro dos instintos do "eu" ligado à conservação do indivíduo é a respiração. O instinto respiratório é o de tempo de frustração menor de todos; podemos ficar muitas horas ou dias sem comer, sem beber, sem dormir, sem prestígio, sem mamãe ou sem amor. Mas não podemos ficar mais do que alguns segundos sem respirar. 

Quando a respiração fica diretamente prejudicada nós sentimos angústia. A respiração está no centro da angústia - em função da sua urgência constante, do seu tempo mínimo de frustração e da facilidade com que desperta em nós reações arcaicas quando frustrada. Quanto menos respiro, mais me contraio e imobilizo (adrenalina); quanto mais me contraio e imobilizo, menos respiro. Ao mesmo tempo vai ocorrendo uma mudança importante no estado de consciência: as funções corticais mais finas e seletivas, assim como as funções cerebelares mais precisas do controle muscular ficam lesadas. 

Quando nos damos conta da importância da respiração para o indivíduo e nos habituamos a observá-la, a todo instante nos surpreenderá a má respiração da maioria das pessoas, o quanto são numerosas as paradas respiratórias. 

Ao invés de observar diretamente a respiração, podemos observar a maneira de falar das pessoas. Com frequência, mostram elas um tom de voz monótono, exprimindo fatos de valor subjetivo os mais variados, dentro da mesma pauta musical de voz. Basta este indício para se poder supor a repressão maciça de toda a vida emocional. Voz constantemente de vítima, voz de explicações (de quem pede desculpas), voz autoritária, voz lamurienta, doce, amarga...

Quando a respiração está livre, há muita variação de tom, de música, de ritmo e de maneira de falar, conforme o assunto tratado, conforme a recordação, conforme o momento vivido, o ouvinte, e tudo mais.

A monotonia expressiva da voz é um 
sintoma seguro de inibição respiratória.

A maior parte das pessoas tem uma tonalidade dominante na voz, de vítima, de interrogação, de explicação, de desafio, ou do que seja. Só os atores treinam muitas vozes, e só pessoas bem presentes ao que dizem mudam de voz ao mudar de assunto. Esta mudança é um sinal de respiração desimpedida. 

As pessoas não têm praticamente noção de como respiram, nem de como falam (do tom de voz). Como então poderão compreender o efeito que causam?

Se a respiração tem essa importância, torná-la consciente é a tarefa mais importante do trabalho psicoterápico, quando se acredita que este trabalho consiste em "tornar consciente o inconsciente". Trata-se de levar a respiração à consciência, de mostrar para o indivíduo que sua respiração é um componente importante da sua vida mental, que todas as suas palavras têm um equivalente respiratório, que suas frustrações respiratórias geram angústia muito rapidamente. De muitas maneiras estamos perturbando nossa respiração muitas vezes ao dia, quando suprimimos pensamentos, gritos, lágrimas, sentimentos e impulsos.

É preciso ficar claro que a respiração 
está presente a tudo o que acontece conosco. 

Se estou ameaçado de asfixia, não posso pensar nem fazer outra coisa antes de respirar. Basta aceitar que o primeiro dos nossos hábitos é o respiratório, basta aceitar que ele se faz o modelador do eixo primário do 'eu" e então veremos que modificar a respiração - o modo de falar - é modificar a personalidade inteira. 

Trecho do livro  Respiração e Circulação - José Ângelo Gaiarsa - Ed. Brasiliense - 1987.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

A coragem de ser imperfeito

"Viver com ousadia não tem nada a ver com ganhar ou perder. Tem a ver com coragem. Em um mundo onde a escassez e a vergonha dominam e sentir medo tornou-se um hábito, a vulnerabilidade é subversiva. Incômoda. Até um pouco perigosa, às vezes. E, sem dúvida, desnudar-se emocionalmente significa correr um risco muito maior de ser magoado. 

Mas quando faço uma retrospectiva de minha própria vida e do que viver com ousadia provocou em mim, posso dizer com sinceridade que nada é mais incômodo, perigoso e doloroso do que constatar que estou do lado de fora da minha vida, olhando para ela e imaginando como seria se eu tivesse a coragem de me mostrar e deixar que me vissem." 

Brené Brown

sábado, 15 de agosto de 2015

Divertida Mente e a Linguagem das Emoções

O canal do youtube Minutos Psíquicos produz uma série de vídeos bem legais sobre como nossa mente funciona. Com o auxílio da facilitação gráfica os vídeos ficam ainda mais interessantes e claros. Um dos vídeos é sobre a animação da Pixar Divertida Mente que conta a história de Riley, uma menina de 11 anos que precisa lidar com uma série de desafios quando seus pais decidem mudar de cidade em função do trabalho do pai.  A animação mostra de maneira muito criativa como as diferentes emoções atuam na mente de Riley. A produção de Divertida Mente teve o suporte da equipe de Paul Ekman* – um dos maiores especialistas do mundo em expressões faciais associadas às diferentes emoções. Vale a pena assistir ao vídeo do canal Minutos Psíquicos e, claro, à animação Divertida Mente.  







*Paul Ekman faz parte do grupo de cientistas que mantém diálogo permanente com o Dalai Lama - nos encontros Mind and Life - onde são tratados temas ligados à neurociência e meditação. Ekman figura entre os mais influentes psicólogos do século XX. 

Foto: A Linguagem das Emoções - revolucione sua comunicação e seus relacionamentos reconhecendo todas as expressões das pessoas ao redor - Ed. Luz de Papel - Grupo Leya 


A Paz das Coisas Selvagens


“Quando o desespero com as coisas do mundo cresce, e ao menor ruído noturno eu acordo angustiado com relação à minha vida e ao futuro dos meus filhos, vou e me deito à beira do lago, onde o cisne desliza com beleza e a garça se alimenta. Eu penetro na beleza das coisas selvagens que não consomem suas vidas cultivando pensamentos sombrios. Entro no estado de calmaria da água. Contemplo a luz das estrelas que se tornam invisíveis na luz do dia. Por um tempo eu descanso na graça do mundo, e sou livre." 

Wendell Berry

sábado, 21 de março de 2015

Transmissões da Estrela-Semente


Existem livros que saltam da estante depois de anos e que precisam ser lidos novamente. Eu li Transmissões da Estrela-Semente no final dos anos 80 - e nos últimos tempos, com todos esses acontecimentos que estamos vivendo, tenho lembrado muito desse livro de Ken Carey. Naquela época já me causou muito impacto. Era uma mensagem para tempos de transição. Algumas coisas fazem mais sentido hoje do que quando li pela primeira vez. Acho que é uma mensagem para estes tempos que estamos vivendo.

Algumas coisas que tenho vivido e observado têm me remetido ao conteúdo desse livro. Até mesmo a Teoria U, abordagem super inovadora que venho estudando, traz ideias que encontrei aqui. Abaixo alguns trechos:


Retire suas energias dos sistemas de informação que servem apenas para chamar atenção para a destruição do antigo. Retire a energia da sua atenção de qualquer forma de mídia que possa mantê-lo consciente dos gritos agonizantes dos sistemas de exploração e manipulação. Não se preocupe com a negatividade global, mas olhe por você, por seus filhos, por sua família e por sua comunidade.


Nestes tempos de transição, os conceitos que se mostram benéficos para você talvez não sejam necessariamente os conceitos úteis para os outros. Todos os raios convergem no centro da roda. Deixe que cada um gravite para o seu próprio nível de compreensão; seja impecável no seu.


Confie que suas necessidades de sobrevivência serão supridas e nada faltará. Amplie sua visão e perceberá fatores de sobrevivência que ainda não tinha visto. Eles estão muito perto dos seus olhos. Sua mente ainda está à procura de coisas complexas. Através da história, você tem se esforçado tanto para sobreviver, nos termos em que concebe a sobrevivência, que esqueceu o porquê da vontade de sobreviver.


À medida que traz para os seus relacionamentos um sentido de identidade baseado em relacionamentos anteriores, você não somente diminui sua própria presença e eficácia nos relacionamentos em curso, mas também cria uma divisão interior em si mesmo. Nenhuma de suas experiências passadas é suficientemente abrangente para identificá-lo totalmente no momento presente; no entanto, você passou a depender delas para compreender e abordar o momento presente.


Limpe seus circuitos. Grandes mudanças estão no ar. Seus físicos estão falando dessas coisas em termos que desafiam a explicação. Seus psicólogos estão abandonando os barcos furados da racionalidade convencional. As religiões estão explodindo no redescobrimento do Espírito, para além dos limites do seu dogma. Neste exato momento, está tudo aqui. Abra sua mente à possibilidade. Abra os seus olhos e veja o que está ao seu redor. Há um padrão vibracional novo pousando. Sintonize-se com ele e aprenda uma maneira efetiva de lidar com esse momento de transição.


Uma oportunidade para adentrar uma nova realidade está sendo oferecida. Para aqueles que têm olhos de ver, ela já está aqui. Breve será a única realidade a ser vista. Aqueles que se sintonizarem com as novas frequências verão que a vida se torna cada dia mais rica. Os que se sintonizarem com o medo encontrarão desmoronamento. Dois mundos de consciência, cada vez mais distintos, começam a se formar. Os tempos serão melhores para alguns e piores para outros, dependendo da orientação e do envolvimento de cada um.

Você está onde a sua atenção o leva. Em verdade, você é a sua atenção. Se sua atenção é fragmentada, você está fragmentado. Quando sua atenção está no passado, você está no passado. Quando sua atenção está no presente, você está na Presença. A informação específica para cada e toda situação está sendo constantemente fornecida a você pela fonte da sabedoria infinita.

Quando você tiver consciência de sua totalidade, o impulso de Vida lhe transmitirá tudo o que você precisa saber em qualquer situação. A mensagem sempre virá como o seu primeiro impulso espontâneo. Esteja atento. Em qualquer atividade com que você se ocupe, esteja também presente integralmente em consciência. Isso o levará à Presença e lhe mostrará rapidamente quais as áreas de sua vida que mais necessitam de ajustamento.


*Trechos do livro Transmissões da Estrela-Semente - Ken Carey. Ed. Pensamento, 1982.

terça-feira, 10 de março de 2015

As couraças

Em que ponto do caminho começamos a perder a espontaneidade da criança e começamos a camuflar nossos sentimentos? Aos poucos vamos perdendo a autenticidade. O adulto vai criando uma couraça que funciona como uma proteção do mundo externo. O preço pago é a ausência de interações verdadeiras que gerem satisfação genuína.

Esta ótima animação mostra como tentamos (em vão) camuflar nossos sentimentos. 


A ilusão é que o outro não percebe nossas estratégias. Já dizia Gaiarsa:

Se olharmos bem, estamos todos nus, na voz, no gesto, no rosto, nas mãos, na postura, no olhar... De qualquer modo, ou vemos o que a pessoa sente, ou percebemos o que ela está tentando esconder. Com alguma prática, percebemos com clareza sua maneira de esconder as coisas - o que, afinal, é um modo de revelar-se. 


*Apperance and Reality - A short story about shown and hidden feelings. (Elro)
  Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=1veqGH_625g