quarta-feira, 25 de novembro de 2015

A alma das coisas

A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. 
O homem que não tem olhos abertos para o mistério 
passará pela vida sem ver nada.
Albert Einstein
Foto: Gebh Al Tarik - Castelo Cluny Hill / Escócia

O pensamento racional tem grande utilidade na vida prática, mas impede o acesso a formas de consciência mais elevadas e a experiências que nos conectam com o sutil. Os orientais sabem disso há muito tempo e desenvolveram sistemas milenares destinados a superar o pensamento convencional.

O intelecto só pode remeter-se à análise da superfície das coisas e entregar uma visão fragmentada: "Um beijo é o contato mecânico de quatro lábios, com intercâmbio de saliva e outras substâncias bucais."

Para captar o sentido profundo, a alma das coisas, sua dimensão oculta e transcendente, é necessário recorrer à visão intuitiva não contaminada pela experiência prévia, desligada dos dados arquivados no cérebro.

A observação profunda deve ser nova, inocente, mas o intelecto se apodera do observado e tende a classificá-lo, a compará-lo e a ordená-lo segundo seus dados acumulados e segundo sua lógica, descartando aquilo que excede seus domínios cognitivos. Assim, o novo se torna velho, o puro se contamina e o profundo de torna superficial. 

Você pode gritar uma verdade aos quatro ventos. O tolo não consegue ouvir. O conhecimento oculta a si mesmo e só é alcançado a partir de um certo nível de consciência.

Mas quando estamos prontos para receber uma informação mais sutil e elevada, o simples contato ativa zonas da mente e canais perceptivos que estavam bloqueados. 

Cada passo que damos nos leva às portas do sutil ou do grosseiro. Nos deparamos com a realidade correspondente a essa escolha prévia. Cada um encontra o que seu nível de consciência pode aceitar e reconhecer.

Texto de Enrique Barrios