domingo, 27 de dezembro de 2015

A Música

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Será que hoje Cazuza diria que o seu partido é um coração partido?
Renato Russo estaria na Legião dos que perguntam que país é este, mas se mantêm livres dessa gosma política?
E Belchior, afastou-se de tudo porque entendeu a divina comédia humana onde nada é eterno?
Sorte deles. Não serão lembrados como coxinhas ou petralhas
Continuarão sendo mitos e autores de letras geniais
Posso continuar gostando deles sem medo da fúria que vem dos polos
Mas nós aprendemos palavras duras
Como dizer petralha, coxinha, corrupto, reaça
Então já não posso ouvir meus CDs do Chico impunemente
Meu vizinho da direita vai dizer que eu sou petralha e corrupta
Também não posso ouvir meus CDs do Ultraje nem do Lobão
Meu vizinho da esquerda vai dizer que sou coxinha e reaça
Aqui no meio, ouço os futuros amantes do Chico
A rebeldia sem causa e inútil do Ultraje
E a vida bandida sem revanche do Lobão
Não dou explicações nem tenho crise de identidade
Sabedoria na vida é suportar a ambiguidade
A música transcende tudo e está além da dualidade

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sábado, 19 de dezembro de 2015

2015 e o Feitiço do Tempo


No filme O Feitiço do Tempo, Phil Connors, personagem vivido por Bill Murray, é um repórter que vai fazer a cobertura do “Dia da Marmota”, um evento de uma pequena cidade nos Estados Unidos. Ele vai contrariado, faz a reportagem de mau humor, louco pra terminar tudo e sair dali. Só que ele fica preso na cidade por causa da nevasca e, pior ainda, fica preso no tempo. Todas as manhãs o despertador toca e ele está no mesmo dia, todas as coisas precisam ser vividas novamente. Ele encontra as mesmas pessoas, tem os mesmos diálogos, enfia o pé no mesmo buraco, tudo igual. Inicialmente ele começa a tirar proveito da situação. Só que essa repetição vai evidenciando as características mais negativas de Phil: arrogância, vaidade, oportunismo, preconceito, manipulação, teimosia. Aos poucos sua atitude começa a mudar e ele passa a perceber a oportunidade que existe em cada encontro. As mesmas situações geram novas experiências.

Esse filme dos anos 90 é genial e vale a pena assistir novamente. Embora pareça uma comédia despretensiosa, o filme é baseado nas ideias do filósofo e psicólogo russo P. D. Ouspensky (1878 – 1947) – que defendia a teoria da eterna recorrência: nós continuaremos passando pelas mesmas situações até que nosso nível de consciência mude e a gente comece a ter outra atitude diante da vida.

Feitiço do tempo - disponível em https://www.youtube.com/watch?v=zi8d69P9NvI

Parece que o ano de 2015 está sendo nosso Ano da Marmota, ou seja, parece que estamos vivendo a repetição do personagem do filme. Todo mundo tem falado dos desafios deste ano, no Brasil e no mundo, e parece mesmo estar sendo o ano que condensou tudo o que não está resolvido, individual e coletivamente. Tudo está sendo visto com um zoom: modelo econômico perverso, colapso ambiental, tensões sociais, racismo, preconceito de toda ordem, corrupção, sistema político falido, extremismos, manipulação da mídia, intolerância. Estamos praguejando contra 2015, mas ele está só refletindo tudo aquilo que nós ainda não compreendemos. Todos os grandes desafios da humanidade se intensificaram e mostraram seu caráter sistêmico.

Recentemente, o Papa Francisco declarou que as festividades do Natal são uma falsidade e não refletem o que nós estamos vivendo, porque ainda não encontramos o caminho da paz. O Dalai Lama disse algo parecido, não faz sentido orar por Paris. Nós criamos essa confusão toda em que o mundo está metido. Não faz sentido orar para que Deus resolva problemas que a humanidade insiste em manter. Isso é falsidade.

Estamos na repetição descrita por Ouspensky. As coisas vão se repetindo e a gente precisa lidar com isso. Assim como a repetição de Phil mostrou, enquanto a atitude não muda a experiência não muda.  Mas a experiência dele também mostrou que o Dia da Marmota é o ponto de mutação. É a oportunidade de dar um salto de consciência.

Cada um sabe quais são as situações pessoais que estão se repetindo. Quais são os padrões recorrentes, no trabalho e nas relações interpessoais. Existe um tesouro escondido aí. Quando a gente cai no buraco pela primeira vez, a resposta mais fácil é ficar com raiva e encontrar um culpado. Isso pode acontecer algumas vezes. Muitas vezes. Nada muda. Nenhum aprendizado. Mas um dia a gente começa a perceber que está caindo no mesmo buraco e não dá mais pra culpar o outro. Essa é uma grande mudança. 

No Livro Tibetano do Viver e do Morrer, Sogyal Rinpoche fala sobre cair no mesmo buraco várias vezes. Com o tempo, diz ele, é possível perceber o buraco e desviar dele. Até que um dia você decide ir por outra rua e o buraco não está mais no seu caminho. Talvez o próximo passo seja fechar o buraco definitivamente (consciência), pra que ninguém mais precise cair nele. Quem sabe 2015 seja o ano dessa compreensão. O ano ainda não terminou e ele pode deixar uma ótima semente para 2016. 

Abraços
Sandra Felicidade

domingo, 6 de dezembro de 2015

Caminhos para a Mudança

Workshop
Nazaré Uniluz -15 a 17/01



A dimensão das mudanças que estão ocorrendo é extraordinária. Não estamos sozinhos nesta época de mudanças. Todas as pessoas que encontramos estão de alguma forma envolvidas em suas batalhas pessoais, procurando reagir a este tempo de desafios.
Como indivíduos, não estamos indefesos diante dessa mudança monumental. Oportunidades de uma ação significativa estão por toda parte: os alimentos que comemos, o trabalho que realizamos, os meios de transporte que utilizamos, o modo como nos relacionamos com outras pessoas, as roupas que usamos, os conhecimentos que adquirimos, as causas que apoiamos, o nível de atenção que dedicamos à vida, e assim por diante. A matéria prima da transformação é idêntica àquela com a qual a vida diária é construída.
Os resultados desta época de transição planetária irão depender das escolhas que fizermos como indivíduos. Nada está faltando. Nada mais é necessário, além daquilo que já temos. Não precisamos de novas tecnologias. Não necessitamos de lideranças heroicas. Nossa única necessidade é optar, como indivíduos, por um futuro revitalizante e, depois, agir em comunhão com os outros, para fazê-lo frutificar.
Por meio de nossas escolhas conscientes, podemos passar da alienação para a participação, da estagnação para o aprendizado, do cinismo para o interesse pelas outras pessoas. Longe de estarmos indefesos, somos a única fonte da qual podem emergir a necessária criatividade, compaixão e determinação. A época do desafio já chegou até nós. É tempo de começarmos o próximo estágio de nossa jornada. 
Duane Elgin

Caminhos para a Mudança - Nazaré Uniluz - 15 a 17/jan/16
Informações e inscrições: 
secretaria@nazareuniluz.org.br - (11) 4597.7103 / 96473.2851 / 99213.7960 -